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Há
3.000 anos o gato convive com o homem. Entre a domesticação e os dias de
hoje, muita coisa mudou. O gato tem habitado um espaço muito mais próximo do
homem do que jamais vivenciara, pela primeira vez sendo totalmente dependente
dele.
Mas ele também continua convivendo com
outros gatos e se comporta como tal, exibindo comportamentos naturais da
espécie, muitas vezes padrões que entram
em conflito com a domesticação. Assim, recebemos desde queixas simples, em
que determinado comportamento aceitável começa a sair do controle e causar
queixas ao dono – por exemplo, brincadeiras inocentes de mordiscar se tornam
ataques repentinos –, ou quando a brincadeira acaba em sujeira e destruição,
até casos em que hábitos e atitudes inaceitáveis do animal passam a
atormentar o companheiro humano – tais como urinar com freqüência em locais
inadequados, miar incessantemente ou atacar de maneira feroz um ou mais
indivíduos da família. Para tentar resolver essas queixas, o
veterinário que trata de comportamento animal precisa conhecer com detalhes o
gato e seu dono, e se aprofundar na interação do paciente com o ambiente e
com outros animais. Desse modo, a partir do histórico do animal, o
veterinário é capaz de levantar possíveis causas para determinados padrões de
comportamento e explicar ao proprietário qual a origem natural de tal
comportamento. O clínico de comportamento costuma atuar
com modificações no ambiente, na relação do gato com seus companheiros,
humanos ou não, e no comportamento do próprio animal. Acima de tudo, é preciso comprometimento e
retorno, por parte do dono, de modo que ele comece a prestar mais atenção no
animal e esteja disposto a aprender a interagir de outras maneiras com ele.
Fisiologia, etologia, neurofarmacologia, patologia, medicina ocidental e
medicina tradicional chinesa se combinam na procura, na discussão e no
entendimento das possíveis causas do problema relacionado à queixa, e no
contínuo processo terapêutico. É importante que o companheiro humano do
gato perceba mudanças sutis de comportamento, que podem indicar o início de
um problema médico ou comportamental. Por vezes, miados incomuns, isolamento
ou apatia, por exemplo, podem ser sinais de doenças que vêm se instalando,
embora ainda não tenham se manifestado clinicamente no animal. Objetiva-se, com esse trabalho, propor
alternativas que reduzam a incidência ou amenizem a ocorrência de
comportamentos inadequados em gatos que convivem com pessoas. Além disso,
acreditamos que informação e orientação são fundamentais para a prevenção de
problemas de origem comportamental. Promover bem-estar adequado a animais e
pessoas que convivem com eles é a nossa filosofia. |
Clarissa Niciporciukas
Clínica – Comportamento – Acupuntura